Use dois prompts encadeados. No primeiro, dê à IA o seu papel, o seu público e os seus temas, e peça dez ângulos de conteúdo concretos. No segundo, escolha o melhor e peça para o desenvolver no seu tom, com exemplos seus. A folha em branco desaparece porque deixa de partir do zero — parte de uma lista de opções relevantes para escolher e afinar.
A folha em branco é o maior bloqueio de quem tem de publicar com regularidade. Não é falta de saber — é a paralisia de não saber por onde começar. "O que é que eu publico hoje?"
Tenho uma solução que uso há meses e que demora dois minutos: dois prompts encadeados. O primeiro gera ideias; o segundo transforma a melhor em conteúdo que soa a mim. Vou dar-lhe os dois, prontos a adaptar.
Porque é que "dá-me ideias de conteúdo" não funciona
Se abrir a IA e escrever "dá-me ideias de posts", vai receber uma lista genérica e sem alma — coisas que servem para toda a gente e portanto para ninguém. O problema é o mesmo de sempre: o pedido é vago.
A IA não conhece o seu público, o seu tom, os seus temas. Para gerar ideias suas, tem de lhe dar esse contexto. É exactamente o que o primeiro prompt faz.
Prompt 1 — gerar dez ângulos relevantes
Adapte os campos entre parênteses ao seu caso e cole:
"És estratega de conteúdo especializada em (a tua área — ex: consultoria imobiliária na Linha de Cascais). O meu público são (descreve — ex: proprietários que estão a pensar vender mas têm receio do processo). Os meus temas centrais são (lista 3-4 — ex: pricing, preparação da casa, erros comuns ao vender, o processo passo a passo).
Dá-me 10 ângulos de conteúdo concretos e específicos para estes temas — não títulos genéricos, mas ângulos que respondam a uma dúvida ou medo real do meu público. Para cada um, escreve numa linha qual o problema que resolve."
A diferença está nas palavras "concretos", "específicos" e "dúvida ou medo real". Forçam a IA a sair do genérico. Em vez de "5 dicas para vender casa", recebe "Porque é que baixar o preço cedo demais pode custar-lhe dinheiro — e como saber o momento certo".

Prompt 2 — transformar a melhor ideia em conteúdo seu
Escolha o ângulo que mais lhe diz e encadeie:
"Perfeito. Pega no ângulo número (X) e desenvolve-o num (formato — ex: post de LinkedIn / carrossel de 7 slides / legenda de Instagram).
Tom: (descreve o teu — ex: directo, honesto, sem hype, em português de Portugal, primeira pessoa). Abre com um gancho que pare o scroll. Termina com uma pergunta ao leitor.
Aqui está um exemplo de algo que escrevi e de que gosto, para apanhares o meu estilo: (cola um texto teu)."
Aquele último passo — colar um exemplo seu — é o que faz a diferença entre conteúdo que soa a IA e conteúdo que soa a si. A IA copia padrões muito bem; dê-lhe o seu.
A regra que mantém o conteúdo seu
Aqui está o ponto que mais me importa: a IA gera o rascunho; a voz tem de ser sua. Use o que ela produz como ponto de partida, nunca como produto final. Corte o que soa a robot, acrescente uma história sua, ajuste uma frase para soar à sua maneira.
O objectivo não é publicar o que a IA escreveu — é nunca mais ficar parado à frente de uma folha em branco. A IA tira-lhe o bloqueio inicial; você põe a alma.
Faça isto uma vez por semana e tem dez ângulos de onde escolher, e um rascunho em minutos. O resto do tempo fica para o que a IA não faz: o seu olhar, a sua experiência, a sua relação com quem o lê.
E quando os bons prompts se repetirem — e vão repetir-se — guarde-os ou transforme-os num agente que faz isto à sua maneira sempre que precisa.
Perguntas frequentes (FAQ)
Como uso a IA para ter ideias de conteúdo?
Com dois prompts encadeados. No primeiro, dê-lhe o seu papel, público e temas e peça dez ângulos concretos (não títulos genéricos). No segundo, escolha o melhor e peça para o desenvolver no seu tom, colando um exemplo seu para a IA apanhar o estilo.
Porque é que as ideias da IA saem genéricas?
Porque o pedido é vago. "Dá-me ideias de posts" não diz à IA quem é o seu público nem quais os seus temas. Dê esse contexto e force-a a ser concreta ("ângulos específicos que respondam a uma dúvida real") e a qualidade muda completamente.
Como faço o conteúdo soar a mim e não a IA?
Cole um exemplo do seu próprio estilo no segundo prompt, e trate o resultado como rascunho, não produto final. Corte o que soa a robot, acrescente uma história sua, ajuste o tom. A IA dá o ponto de partida; a voz é sua.
Quanto tempo demora?
Dois minutos para gerar e escolher; mais alguns para afinar o rascunho ao seu gosto. O ganho real não é só tempo — é nunca mais ficar bloqueado à frente de uma folha em branco.
Posso reutilizar estes prompts sempre?
Sim — e deve. Guarde-os e adapte os campos a cada vez. Quando perceber que os usa todas as semanas, vale a pena transformá-los num agente que executa este fluxo à sua maneira.
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